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Um Novo Cenário nas Organizações

A partir dos anos 90, com a política de abertura do mercado (globalização), começamos a visualizar um cenário de mudanças nas organizações, criando situações inovadoras e de grandes transformações. As fusões e aquisições no mercado brasileiro envolvendo capital externo chegaram a 221 em 1998 (Exame), índice muito superior ao que vinha acontecendo. Muitas empresas brasileiras tiveram que se habituar com a idéia de se unir a outras, como forma de sobreviver no mercado e se tornar competitiva. O ponto positivo é que novas práticas de gestão foram implementadas ou pelo menos experimentadas nas empresas. As joint-ventures (parcerias) que são realizadas entre as empresas, também se tornaram uma rotina no mercado brasileiro, aliando conhecimento tecnológico, capital, estratégias empresariais, visando maior competitividade e desenvolvimento sustentável dos negócios. As terceirizações que as empresas implementaram, a partir dos programas de downsizing (redução dos recursos humanos e materiais), normalmente através da reengenharia de processos, é uma nova realidade neste novo cenário e o que tudo indica deve continuar como uma das formas de adequação das organizações às constantes mudanças.
A preocupação com o nível de qualidade das organizações tem aumentado, e isto se deve as exigências dos clientes em adquirir produtos que atendam suas expectativas. Este cenário, obriga um relacionamento cliente/fornecedor mais forte na cadeia produtiva no que tange custos transferidos e a garantia da qualidade. As organizações passaram a exigir de seus fornecedores um melhor padrão de qualidade e atendimento. Na década de 80, empresas do Japão revolucionaram a industria automobilística com o sistema just-in-time (entrega a tempo). O fornecedor entrou nas fábricas, estoques e custos foram reduzidos. Estes instrumentos estão presentes em alguns segmentos do nosso mercado como por exemplo o ECR-Efficient Consumer Response, ou seja, resposta eficiente ao consumidor. A base do sistema é a informação, como a transformação eletrônica de dados, padronização de transportes e pesquisas do hábito de compra do consumidor. O resultado do sistema é uma gestão eficaz onde os supermercados mantém estoques de produtos que vão vender com alta probabilidade nas próximas horas e o fornecedor só produz aquilo que é necessário. Segundo a consultoria Kurt Salmon Associates, especializada em varejo, a ECR fez com que empresas americanas reduzissem seus estoques em 41% o que significou uma economia de 30 bilhões de dólares anuais resultando na queda de preços de alguns produtos (Exame).
Tendências de uma maior valorização do ser humano são observadas em algumas organizações. Trabalho em equipe como fundamento dos conceitos de qualidade, sinergia, auto gestão, gestão do conhecimento, ou o capital intelectual que hoje é considerado valor patrimonial por algumas empresas, e uma maior valorização com relação a inovação e a criatividade. Segundo Domenico de Masi – Sociólogo italiano, a criatividade das pessoas será altamente valorizada, mas para isto é necessários que as pessoas estejam motivadas dentro das organizações.
Na verdade, o mundo passa por mudanças tão rápidas em um espaço de tempo cada vez menor, que soluções tradicionais já não bastam para a complexidade dos problemas que estão aparecendo, e a cada dia, as organizações tem o desafio de encontrar novas formas de agir com essas mudanças. A própria corrida para a busca de novas tecnologias que antes era um diferencial competitivo, hoje iguala a todos, e o que vai fazer a diferença é a inovação, a ousadia e o próprio dinamismo em implementar estratégias que as tornem diferentes dos concorrentes.
No terceiro milênio, é certo, que um novo cenário se concretiza, e não haverá lugar para organizações amadoras, elas precisam se conscientizar que sumirão do mercado se não conseguirem acompanhar as mudanças. O economista Antonio B.de Castro disse em entrevista a Revista Exame, uma frase alertando as organizações: “é preciso que todos saibam que, daqui para a frente, quem correr vai ficar parado”. Com certeza, as organizações terão que ser dirigidas por pessoas empreendedoras, que tem interesse no aprimoramento constante e estão sempre de olho no mercado, aproveitando-se destes cenários de mudanças, não para se lamentar, mas para agarrar as oportunidades, para quem conseguir enxergar, é claro.
Assim sendo, a globalização esta regendo um novo contexto de como fazer negócios. A sobrevivência empresarial implica em novos modelos organizacionais, alianças estratégicas e transposição das culturas para permitir vantagem competitiva sustentável. A tecnologia faz com que a relação espaço tempo seja restrição mínima para qualquer transação ou comunicação, permitindo também, que um novo tipo de colaborador além do tradicional, possa contribuir neste novo contexto. Juntando estes aspectos com os modelos e conceitos sólidos de gestão apresentados e com foco na demanda, combinam-se os fatores necessários para iniciar a caminhada e vencer neste novo cenário.

Elaboração: Valentina S. Gênova
Consultora da Qualidade – ENERSUL

e-mail valentina@enersul.com.br





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