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GESTÃO DO CONHECIMENTO

“O único capital insubstituível que uma organização possui é o conhecimento
de seus colaboradores e sua capacitação. A produtividade deste capital
depende da relação de eficácia, entre o compartilhamento da competência
de cada um com aqueles que possam utiliza-la”.
Andrew Carnegie

Introdução

O mundo passou por diversas fases. Primeiro a terra, o trabalho e o capital eram os fatores de produção. Depois a tecnologia teve seu espaço, e hoje, após um longo período de domínio da era da informação, considera-se que o conhecimento é fundamental como fator de vantagem competitiva para a sobrevivência das nações/organizações. Se pensarmos em termos de estratégia, o conhecimento na verdade teria que ser colocado em primeiro lugar, pois obter informação hoje é simples, só depende do capital disponível, enquanto que o conhecimento esta associado as pessoas. Foi a partir do conhecimento que o homem pôde transformar a terra, através do trabalho nela executado, no primeiro elemento de geração de riqueza, permitindo, mais tarde, suprir cada vez mais as necessidades básicas, como de alimentação da população, transformando este esforço em capital.
A crescente necessidade de bens de consumo fez do conhecimento científico a mola mestre para a aplicação da ciência no avanço tecnológico. Mas é notório, que mudanças estão ocorrendo na composição destes elementos. Desde o começo do século, o conhecimento tem se tornado crescentemente importante como elemento de criação de riqueza.
Muito se tem falado em Gestão do Conhecimento, embora ainda não exista um consenso sobre o que seja, mas já existe uma convicção generalizada de que o conhecimento que existe na mente dos membros de uma organização tem um valor inestimável, denominado valor intangível, que passou a ser um fator fundamental para as organizações. Gerenciar o conhecimento é um grande desafio das organizações modernas, mas, como gerenciar este conhecimento? Com certeza, as organizações terão que descobrir meios, para que este “capital intelectual” como é também chamado, não se perca como tantas outras coisas que as organizações perdem, por não utilizarem as ferramentas que hoje permitem implantar esta gestão, ou talvez, até por não dar a devida importância ao assunto.


O Conhecimento e a Gestão

O principal valor das empresas modernas não está só em seu capital físico, mas também no capital intelectual. Segundo Thomas A. Stewart, “nenhum investidor compra ações da Microsoft ou da Intel em virtude de fábricas e equipamentos que possuem, mas sim por suas capacidades de gerarem novas idéias, habilidades e inovações capazes de gerar riquezas”.
Avaliar o capital intelectual das pessoas que fazem parte da organização é uma tarefa difícil, pois envolve elementos como talento, criatividade, capacidade de análise, tradução de experiências, intuição, inteligência, etc , que só é possível medir ao longo do tempo, e a gestão do conhecimento surge como instrumento para esta integração, ou seja, a partir do momento que uma organização tem a preocupação em administrar o seu capital intelectual, com certeza ela estará no caminho certo, de descobrir o que cada um tem a oferecer.
Colocando atualmente o conhecimento dentro de um contexto tão importante, é certo que o gerenciamento destes conhecimentos passa a ser de fundamental importância para qualquer empresa que pretenda manter-se competitiva, ou seja, ser capaz de gerar riqueza com visão de longo prazo.
Nos EUA, a corrida para tal gestão já começou, onde mais de 18% das empresas estão com a Gestão do Conhecimento implantada formalmente, prevendo-se um índice maior que 90% para 2003. As empresas criaram um cargo para responder pelo gerenciamento e difusão do conhecimento. No Brasil este índice não ultrapassa 3% sendo que envolve fundamentalmente multinacionais aqui instaladas.
Outros fatores interessantes, acontecem no mundo com relação a gestão do conhecimento. Na Europa, por exemplo, a empresa sueca Skandia AFS , uma seguradora, foi a primeira no mundo a computar o capital intelectual em seu balanço anual.
A Ceman na Bahia, fugindo ao padrão observado, uma empresa de manutenção de máquinas industriais onde 80% de seus empregados são operários, desenvolveu um programa de remuneração vinculado ao aprendizado e ao desenvolvimento de habilidades.

Conclusão

A gestão de conhecimento envolve um projeto multidisciplinar na empresa onde a estratégia é o principal ingrediente de entrada. Participam diretamente a gestão de excelência, de Rh e TI (tecnologia da informação) e representantes de todas as áreas, integrados pelo CKO (chief knowledge officer), executivo chefe do conhecimento e normalmente o responsável pela estratégia empresarial. Todas as dificuldades para implantação de um projeto que rompe paradigmas estão potencialmente presentes nesta jornada.
Para finalizar vale a pena ressaltar alguns fatores estratégicos, adaptados de Malhotra:
- Visão da organização – Ser vista como uma comunidade de pessoas capazes de prover vários significados à informação resultante, gerada pelos sistemas de informação;
- Postura pró ativa – Não dar ênfase à aderência ao “status quo” - “as coisas sempre foram feitas desta forma aqui”;
- Posição e definição – Estimular diversidade de visão e posicionamento para evitar consenso prematuro aos elementos ou decisões mais profundas e importantes ao resultado ou performance. Ou seja, promover a possibilidade de compartilhamento de opiniões e posições de todos enriquecendo a discussão sobre assuntos de relevância para a empresa, impedindo assim que decisões sejam tomadas de forma precipitada no que se refere a ações e mudanças mais profundas, com impacto direto no resultado e sustentabilidade do negócio. Confrontar antigos ou atuais “Benchmarks ou Melhores Práticas”;
- Desenvolvimento do Valor – Estimular o uso da imaginação e criatividade para gerar ativos de conhecimento apropriáveis à organização permitindo vantagens competitivas sustentáveis;
- Concepção da gestão de Conhecimento – Valorizar e reconhecer de forma explícita o conhecimento disponível e aspectos relacionados ao ser humano, valores, ideais e emoções;
- Disponibilidade de Dados - Disponibilizar a base de informação aos membros da organização – no nível e na necessidade de uso para gerar valor;
- Alinhamento – Alinhar os elementos da estratégia com a Gestão de Conhecimento – aspectos operacionais (transacional), com sistemas transacionais e bases de dados abertas; aspectos competitivos (não linear), com sistemas e tecnologia flexível permitindo responder às necessidades de velocidade, quantidade e qualidade de obtenção, uso e depósito de informações dos usuários individuais ou comunidades de troca de conhecimento internas e externas, implementadas de forma estruturada e integrada. Ou seja, a gestão do conhecimento deverá estar alinhada com a estratégia da empresa, num processo apoiado por sistemas e tecnologia que sejam flexíveis o suficiente para que possa existir a possibilidade de troca de conhecimento entre os profissionais da empresa internamente e com o mundo externo, na denominadas comunidades de conhecimento, com resposta rápida e em quantidade e qualidade suficiente para responder às necessidades;
- Adequar a estrutura com a gestão competitiva – estruturas mais flexíveis, verticais ou não, virtuais ou físicas, voltadas para resultado, com foco na demanda. Ou seja, ancorar a estrutura organizacional em bases que permitam foco no valor (processos) e no atendimento às necessidades do cliente/mercado;
- Reconhecimento – Reconhecer formalmente as pessoas que geraram e compartilharam conhecimento que resultou na melhor performance;
- Ferramentas e processos de gestão – Adotar ferramentas visando melhoria contínua da eficácia operacional e estratégia.
Enfim, a maior conclusão de todo este processo é a citação inicial de Andrew Carnegie de que o conhecimento é um capital insubstituível e para que as organizações tornem esse conhecimento
produtivo é preciso incentivar a criação, uso e o compartilhamento, o que não é fácil, pois depende muito da cultura da organização, dos valores e consequentemente, das pessoas que dela fazem parte.


Referências Bibliográficas
- Nolan, Richard L., Croson, David C., Destruição Criativa, Editora Campos,1996, Rio de Janeiro.
- Malhotra, Y, Knowledge Management for the New world of Business, Published under the title TOOLS@WORK, Journal for Quality & Participation (July/August, 1998).
- EDVINSSON, Leif e MALONE, Michael S. Capital Intelectual. São Paulo – SP, Editora Makron Books do Brasil, 1998.
- STEWART, Thomas A. Capital Intelectual. Rio de Janeiro – RJ, Editora Campus Ltda, 1998.
- SVEIBY, Karl Erik. A Nova Riqueza das Organizações. Rio de Janeiro – RJ, Editora Campus Ltda, 1998.
- ALBRECHT, K. Programando o Futuro, o Trem da Linha Norte, Makron.
- CQ-Qualidade – Setembro/95
- Revista Você S.A – novembro/98
- BQ-Qualidade – abril/99

Valentina Sidineis Gênova – Especialista em Gestão da Qualidade e Gestão de Negócios
e-mail: valentina@enersul.com.br



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